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Os Dois Lados (contos gratuitos para ler no Clube)

“Caminho em meio à escuridão sem ter bem certeza do que vou encontrar.”

 

Conto: Os Dois Lados

Autor: B. Craus Nantai

Gêneros: Drama

 

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Caminho em meio à escuridão sem ter bem certeza do que vou encontrar. Olho para o céu, e o que vejo? Apenas o breu que engole a tudo e a todos, sem nem saber se um dia veremos novamente a luz.

Ao meu redor, charcos, poças lamacentas e troncos. Troncos de árvores mortas, sem aquela vida que um dia correu como seiva fresca… árvores-defunto lutando para que suas raízes continuem a mantê-las em pé.

Estátuas da podridão.

 

“E o que você procura?”

 

Começo a vagar, tentando não meter meus pés nos buracos lamacentos e fétidos que me cercam.

Não acho que vagar por um mundo surreal destes seja a melhor maneira de encontrar o que se procura, mas o maior problema é não saber o que quero encontrar. Talvez seja por isso que eu tenha vindo parar aqui.

Aqui, neste lugar. Aqui, neste necrotério de árvores, de seres, onde uma aura pútrida impera como rainha, e o fedor como um rei submisso.

Mais à frente vejo o que talvez seja minha saída… um precipício. Afinal, que melhor forma de fugir? Poderia ser bom… eu iria ao menos ter a sensação de estar voando por alguns minutos, e em seguida não sentiria mais nada.

Nada de dor, nada de decepções, nada de dúvidas… nada de nada.

 

“Você não quer mais sentir?”

 

Eu pulo. Mas o que acontece em seguida não é normal.

Não caí. Um vento forte veio de baixo, e me reergueu. Fui jogada para todos os lados, pega por aquele furacão repentino. E quando bati o rosto em algo, senti que era grama. Grama fresca. Grama perfumada. Aquele cheirinho que me veio à memória, de algum lugar que eu sequer sabia que ainda seria capaz de lembrar.

Quando abri os olhos, vi uma luz fraca penetrando suavemente pela neblina. Era o mesmo lugar. As mesmas árvores, o mesmo chão, mas desta vez completamente mudados. À minha frente, uma pequena luz esvoaçante. Mais brilhante que o sol que lutava contra a névoa.

A criatura veio na minha direção e pousou em minha mão estendida. Junto com o vento, ouvi o eco de uma voz que sussurrou em meu ouvido.

 

“Não chores mais…”

 

 

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Os direitos autorais deste conto são inteiramente reservados ao autor! É proibido copiar ou reproduzir por qualquer meio sem prévia autorização.

 

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